Branding como estratégia de crescimento em startups

Grão, 3 de dezembro de 2021
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O verbo em inglês ‘to brand‘ vem do ato de marcar gado. A ideia inicial era que com a marca nos gados, ficava mais fácil de separar os animais em rebanhos evitando possíveis desavenças com vizinhos. Historicamente, a marca era algo que diferenciava os produtos e assim o termo ‘brand’ é adotado na publicidade e propaganda. Segundo Guta Tolmasquim, CEO da Brand Gym, primeira empresa de branding para startups, branding é tudo que não é performance e essa é a chave para a mudança de mindset dentro de uma startup. Para ela, a marca é o principal diferencial competitivo em um mundo em que há tantas opções de produtos e, principalmente, no momento em que os concorrentes ficam cada vez mais parecidos. 

Não é novidade que pessoas se conectam com histórias e ideias e, por isso, contar a sua história por meio de um storytelling bem construído deve fazer parte da estratégia de negócio. Branding e produto devem estar equilibrados e a sua marca é como se fosse o front-end da empresa. É através da marca que as pessoas vão se conectar com o seu produto ou a sua empresa. “A marca é o jeito de empacotar o que você representa. Branding define a forma como as pessoas entendem a empresa”, comenta Guta. 

Branding X Performance 

Investir apenas em mídia paga em redes sociais e Google pode deixar o modelo de negócio frágil e satura a imagem da marca. Uma situação recente foi a queda das redes sociais no mês de outubro, que deixou inúmeras empresas incomunicáveis e com impacto direto nas vendas. Por isso o branding é um aliado das empresas.

Muitas pessoas questionam sobre como mensurar o branding de uma empresa. Na prática, branding é tudo o que não é performance, comenta Guta. Não é possível medir o ROI do Branding, mas também não se pode considerar que a estratégia dará resultados a longo prazo, devemos sempre pensar que um bom branding também trará impactos diretos nos negócios em curto, médio e longo prazo. Atualmente há diversas métricas que podem colaborar para mensurar o impacto do branding na sua marca.

Alguns pontos devem ser considerados como impacto de branding:

1- Elasticidade: disposição a comprar outros produtos da empresa;

2- Relevância: impacta a retenção do cliente na base (churn, LTV, upsell);

3- Preferência: ajuda na aquisição (CAC, margem);

4- Identificação: otimiza o investimento em mídia (engajamento, MGM, referral, CAC);

5- Amor: quando o cliente torna-se um lover da marca. 

Quando investir em branding 

No contexto das startups, a hora certa de investir em branding deve fazer parte do plano de negócio da empresa. “Se você não investe em branding até o série A, vai ter problema de performance”, comenta a executiva da Brand Gym. Por isso, é preciso considerar a estratégia dentro do cenário atual da empresa. Um bom início é fazer um manifesto sobre o marketing da sua empresa, o tom de voz da marca e a persona que deseja atingir. A equipe de marketing também deve considerar a criação de um brandbook, conhecido como um manual da marca, para guiar toda a construção de ações em torno do branding. “Desde o começo é possível considerar os pontos fortes do seu produto e posicionar o branding com foco nisso”, comenta a CEO.

Diferenças de branding entre B2C e B2B

A teoria da construção de branding é basicamente a mesma para os dois cenários. No entanto, no B2B  deve-se construir um storytelling com mais qualidade para o cliente, pois existe todo o processo de conhecimento de marca e venda.O branding para uma empresa B2B também deve considerar um público menos aberto a mensagens conceituais e a marca é bancada em career safeness.  Ainda, o time de vendas de uma empresa deve ter um discurso alinhado com o propósito da empresa. E, após a primeira venda, é necessário construir o relacionamento com o cliente para mantê-lo. Nessa fase as empresas devem investir no sucesso do cliente com um time de Customer Success. 

No B2C, é mais fácil passar a mensagem para o cliente, pois é um público mais aberto a criações criativas. “Neste segmento, a mensagem tem que ser menos complexa, pois é um público mais atrelado a imagem mais conceitual”, comenta a executiva. 

O Futuro do Branding

Uma frase resume bem o poder do branding: “Uma marca bem construída desde o primeiro dia aumenta as chances no futuro”. E é esse o pensamento que os empreendedores devem ter sempre em mente. A questão é que um Branding bem construído desde o início pode salvar negócios no longo prazo.

Sobre as perspectivas para o futuro do Branding, Guta comenta que o cliente será o centro da construção de um bom storytelling. Além disso, o bom branding deverá ter uma estratégia 360º olhando para áreas como produto, performance, atendimento, sucesso do cliente, marketing, design, tecnologia, marketing, comunicação e gestão de pessoas. 

Para conhecer e acompanhar a Brand Gym, acesse o site, o LinkedIn, o blog ou a Biblioteca de Branding da empresa.