Conheça a Tabas, startup que inaugurou o conceito de Living as a Service no Brasil

Grão Venture Capital, 12 de setembro de 2022
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Imagine um aluguel descomplicado e flexível, com tudo incluso – móveis, IPTU, condomínio, água, luz e internet –, parece um sonho, certo? Pois a Tabas, proptech fundada em 2020, quer tornar isso uma realidade acessível para todos os brasileiros.

Fundada pelo brasileiro Leonardo Morgatto e o italiano Simone Surdi, a Tabas chegou ao mercado no início de 2020 com uma solução LaaS (Living as a Service) e um modelo de negócio que promete sanar as dores tanto dos proprietários de imóveis quanto dos inquilinos.

O foco da Tabas é proporcionar um aluguel flexível para estadias de médio e longo prazo para quem vai alugar um imóvel e não quer se comprometer com um contrato longo, com exigência de permanência mínima e outras práticas comuns ao mercado imobiliário. Assim, a Tabas oferece aluguéis a partir de um mês (a startup não trabalha com estadias de curta duração, de dias) com as despesas fixas do imóvel inclusas (como IPTU, condomínio, luz, água, gás e internet). “Os novos consumidores querem ter a facilidade de entrar e sair de um imóvel, sem abrir mão do bem-estar, decoração e praticidade de um apartamento”, disse Morgatto, fundador e CEO da proptech.

Já o negócio firmado com os proprietários dos imóveis segue termos mais estáveis: a Tabas firma contratos de longo prazo, de até seis anos, com os proprietários das unidades e, durante esse período, reforma, mobilia e equipa os imóveis de acordo com o padrão Tabas de design e conforto, visando o retrofit completo e a valorização da propriedade. A startup então passa a administrar os aluguéis e fica responsável pela manutenção dos imóveis e por repassar o valor do aluguel para os proprietários, independentemente de o local estar ocupado ou não – ou seja, oferecendo aluguel garantido até o final do contrato.

Com esse modelo, segundo os fundadores, a Tabas é a solução ideal para as duas pontas interessadas em alugar imóveis: estável para os proprietários, flexível para os inquilinos. Atualmente, a Tabas opera nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, e administra um portfólio com mais de 800 apartamentos escolhidos a dedo em bairros nobres como Jardins e Itaim em São Paulo, Leblon e Copacabana no Rio de Janeiro, e Asa Norte em Brasília. A maior parte do portfólio é composta por imóveis de dois ou mais quartos, com aluguéis entre R$ 4 mil e R$ 40 mil.

Trajetória

A ideia de criar a Tabas surgiu quando Morgatto e Surdi estagiavam em Londres e perceberam a tendência de Living as a Service ganhando força na cidade. Além disso, a dupla identificou uma enorme oportunidade no setor imobiliário brasileiro, famosamente conhecido pelo excesso de burocracia.

A Tabas chegou ao mercado poucas semanas antes de a pandemia de COVID-19 sacudir a economia, mas o que poderia ser um duro golpe para uma startup recém-lançada, revelou-se um momento de crescimento para o mercado imobiliário: o setor foi um dos que melhor se recuperou dos efeitos da pandemia e, segundo dados mais atualizados do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), o número de unidades lançadas e vendidas dobrou nos meses de janeiro e setembro de 2021, em comparação ao ano de 2020. O resultado foi que, apesar do cenário de incertezas no ano de estreia, a Tabas fechou 2021 com um faturamento de R$ 15 milhões e uma taxa média de ocupação de 93%.

Segundo Morgatto, o primeiro ano de operação foi desafiador devido à escassez de capital. Foi a injeção de R$ 10 milhões em uma rodada Seed que contou com a participação da Grão Venture Capital, Venture Friends, Insead Angels e investidores anjos estratégicos que possibilitou à startup validar o modelo no mercado e provar a sustentabilidade da operação.

”Em 2021, a Tabas deslanchou. Hoje nós vemos que havia uma necessidade grande no mercado pelo nosso modelo de negócio. Há ainda uma escassez grande do nosso produto, uma escassez global”, disse Morgatto.

Do início de 2022, até o momento, a Tabas captou sua Série A de US$ 14 milhões (aproximadamente R$ 80 milhões) dividida em equity e debt – enquanto o montante captado em equity será investido na expansão, o dinheiro captado em dívida será usado para reforma e mobília dos imóveis do portfólio.

Outro marco importante na trajetória da Tabas foi a captação do CRI (Créditos de Recebíveis Imobiliários). “A busca por uma linha de crédito para reforma de apartamentos em substituição ao uso de equity foi crucial para a Tabas, principalmente no estágio em que estávamos. Com essa operação de CRI, conseguimos minimizar a diluição do acionista e garantimos recursos para dobrar o portfólio”, contou Morgatto.

Os planos agora incluem expandir a operação para outros bairros e cidades, chegando a 1.200 apartamentos até o fim de 2022. A Tabas também estuda duas novas frentes de atuação: o lançamento de produtos financeiros para os proprietários, como antecipação de recebíveis; e o lançamento de soluções B2B, para atender a demanda empresarial por aluguéis.