Quero começar uma startup. E agora?

Grão, 22 de outubro de 2021

Fernando Oshima

Nem todo mundo que fundou uma startup começou a partir de uma ideia incrível. Muitas vezes, a decisão de começar um negócio chega antes do business em si. Há aqueles que têm, sim, uma solução em mente que pode facilitar a vida de muita gente, mas também há os que sabem que querem empreender, mas não fazem ideia de por onde começar. 

Resolvemos criar uma espécie de guia, passo a passo, beabá, para te dar uma luz sobre os caminhos que pode seguir e te ajudar a passar pelo desafio, e, porque não, aventura, que é empreender no universo das startups. Se encarar esta jornada é o que mais quer fazer, este texto é para você.

Abrace a sua ideia 

Se você já tem uma ideia para dar início à empresa, pode começar sua jornada pensando nos recursos que vai usar para tirar o seu projeto do papel. Sendo assim, pode pular para o próximo tópico.

Se ainda não tem uma ideia incrível de negócio, mas tem certeza que empreender é o seu caso, é preciso passar por um período de pesquisa e descoberta. É importante entender os segmentos de mercado que fazem sentido para você e alinhar isso aos seus objetivos de vida.
É um processo um pouco mais profundo, mas há algumas ações objetivas que podem te ajudar a encontrar um caminho.

  • Participe de programas que te apoiam a começar um negócio, como o Latitud, ou a Startup School do Y Combinator.
  • Esteja atento ao founder-market fit e comece pela indústria na qual você já atua. A sua expertise de mercado pode te ajudar a pensar em soluções.
  • Em um primeiro momento, procure as pessoas que você já conhece. Elas estarão, naturalmente, mais abertas a ouvir suas ideias. Lembre-se que essas pessoas não precisam necessariamente concordar plenamente com suas ideias, é importante saber ouvir críticas e sugestões.

Financie a sua ideia

  • Uma opção é usar somente recursos próprios. É o que chamamos de bootstrapping. Nesse modelo, você não vai buscar investidores externos, e a entrada de capital virá a partir dos seus primeiros clientes.
  • Se a solução que você desenvolveu mostrar que é altamente escalável por conta do uso de tecnologia, pode buscar a captação de investimentos com um VC.
  • A forma mais fácil e eficiente de chegar aos VCs costuma ser através de alguma conexão em comum.

Encontre os seus co-founders

Como empreender é bastante difícil, (ainda mais em startups, que requerem crescimento acelerado) é muito importante ter com quem compartilhar os desafios e as angústias da jornada. Pessoas com experiências profissionais e expertises diferentes fazem com que mais áreas do negócio sejam cobertas, trazendo mais chances de sucesso para o empreendimento.

  • É importante ter sócios com características complementares às suas. Trazer pessoas de backgrounds diferentes para o time é fundamental. Busque pessoas de perfis comportamentais variados, com habilidades diversas.
  • Comece a busca pela sua lista de contatos. Recorra não só aos colegas da faculdade ou do último trabalho, mas aos amigos de infância, do colégio etc.
  • É possível usar ferramentas de co-founder matching, como a desenvolvida pelo Y Combinator.
  • Participe de eventos do ecossistema de startups. Você pode conhecer pessoas incríveis com ideias de negócio próximas à sua.
  • Uma outra possibilidade é enviar uma cold message no LinkedIn para pessoas que acha que estejam alinhadas à sua proposta.
  • É interessante que você conheça os demais co-founders com algum grau de profundidade, afinal será seu sócio e não um funcionário que poderá desligar a qualquer momento. Se já tiverem trabalhado juntos, será um bônus.

Tenha uma solução que envolva tecnologia

Necessariamente, uma startup tem que ter tecnologia envolvida na solução proposta. É assim que o negócio se torna escalável. Além de uma boa ideia, é o potencial de escalabilidade que atrai a atenção e o interesse de VCs. 

Procure tangibilizar e entender ao máximo o quanto essa tecnologia pode realmente mudar o status quo, e não simplesmente ficar no plano superficial com buzzwords como IA, machine learning, big data, etc.

Faça um pitch deck

Assim que tiver maior clareza do problema a ser resolvido, a definição do segmento de mercado em que pretende atuar, uma solução mais tangível e sócios definidos, faça um pitch deck. 

A ideia é agrupar todas essas informações de uma maneira sucinta e com uma narrativa definida, através da qual você consiga fazer com que qualquer pessoa entenda que problema quer solucionar, o tamanho dele, e porque você juntou o time certo para resolvê-lo.

Converse com os fundos de investimento 

Este é o momento em que o investidor vai analisar o grau de compromisso que o empreendedor tem com o negócio para o qual busca recursos. Ele vai avaliar se a vontade de abrir uma empresa surgiu apenas pelo momento aquecido do mercado, ou se há realmente a paixão por resolver um problema. Esta é a hora de provar que você está disposto a cortar a sua safety net e se jogar de cabeça no negócio.

  • O processo de conversa com os fundos é uma via de mão dupla. Assim como eles vão analisar o seu perfil, você também deve fazer reference check e verificar se o que o fundo oferece está alinhado com seus propósitos.
  • Seja objetivo e respeite o tempo previamente agendado, programe-se para reservar alguns minutos ao final para perguntas dos investidores.
  • Todos os co-founders devem ter dedicação exclusiva ao negócio. Esse ponto é importante para os investidores, pois mostra não só que os empreendedores estão totalmente comprometidos com o negócio como também que vão se dedicar ao máximo para fazer com que ele decole.
  • O cap table deve ser equilibrado entre os co-founders. Caso não seja, é preciso que haja um motivo bastante claro que justifique a diferença de participação societária.
  • Na trilha de VC,  é muito importante que os idealizadores do negócio tenham poder de decisão no que diz respeito à construção e ao futuro da startup. Isso se reflete no cap table quando os co-founders detêm mais de 50% da participação após um Series A.
  • O acordo entre co-founders sempre deve prever condições de cliff e vesting. Isto é fundamental para os VCs. Como a jornada é longa e o compromisso deve ser de longo prazo, estes mecanismos auxiliam o alinhamento de interesses.  

Escolha bem os investidores e anjos

O investimento de um fundo ou de um anjo envolve mais elementos que apenas o financeiro. Além do dinheiro, ter um investidor que conheça bem a indústria e que tenha um networking de peso pode ajudar, e muito, o crescimento do negócio.

  • VCs poderão te apoiar na construção e estruturação da empresa. Mais do que investidores financeiros, eles atuam como mentores. Além disso, VCs podem ajudar com o employer branding até que a sua marca ande por conta própria.
  • Escolha anjos estratégicos, que naveguem na indústria em que sua startup está inserida, ou que tenham experiência em construir negócios exponenciais.
  • Ter um anjo que já foi seu superior no mundo corporativo é um sinal importante de confiança no seu trabalho.

Aprenda a identificar uma possibilidade de negócio

  • Verifique as tendências internacionais.
  • Grandes mudanças regulatórias podem trazer novas possibilidades de negócios.
  • Busque um problema que você possa ajudar a resolver.
  • Comece propondo soluções para uma indústria que você já conhece bem.
  • Procure por mercados que ainda não foram digitalizados e entenda porque isso ainda não aconteceu.
  • É fundamental analisar o tamanho do mercado. VCs têm interesse em mercados grandes, altamente rentáveis e de ampla escalabilidade.

Analise o tamanho do mercado

Saber qual é o tamanho do mercado no qual você quer empreender é de extrema importância. É isso que vai te ajudar a entender o quão escalável o seu negócio é, e que vai te possibilitar fazer a elaboração de um planejamento realista de construção e de crescimento do business. Ao buscar investidores, você precisa deixar claro que conhece os dados reais sobre o mercado em que quer atuar. Afinal, esta é uma parte crucial da estruturação da empresa. Busque fontes primárias e com credibilidade para realizar os devidos cálculos.

A definição do TAM (Total Available Market) pode ser feita de duas formas: top-down ou bottom-up. A análise top-down (de cima para baixo) é geralmente usada para avaliar o TAM e pode ser feita através de informações fornecidas por terceiros, como organizações ou analistas de mercado. Já a análise bottom-up (de baixo para cima) requer dados mais minuciosos, e é normalmente utilizada para definir o SAM (Serviceable Available Market) e o SOM (Serviceable Obtainable Market). Neste caso, além de identificar a quantidade de clientes do seu segmento, você deve identificar obstáculos que podem impedir a sua empresa de atender o público total do negócio, pois é importante entender o que, efetivamente, é capturável deste mercado pela startup.

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Há  muitas outras coisas a serem consideradas se quiser começar uma startup. Nossa intenção foi apenas te dar um empurrãozinho. Se você sentir que está pronto para captar recursos, fale com a gente. Podemos te ajudar a tirar o seu negócio do papel.